A história da Universidade Brasileira está vinculada à luta permanente, no campo político-educacional, de todos aqueles que buscam um espaço acadêmico onde se exercitem teorias e práticas transformadoras da Sociedade e do Estado. Uma Universidade capaz de expressar multiplicidade de pensamentos, por vezes conflitantes. No seu interior, iniciativas tentam romper as amarras da Academia, ansiando por uma Universidade pautada em novos paradigmas, que envolvem o respeito à ética, à diversidade cultural e à inclusão social, como seus princípios e suas referências. Uma Universidade que amplie seu escopo de atuação passando a envolver não só os segmentos sociais já tradicionalmente privilegiados, mas a sociedade na sua totalidade. Conseqüentemente, uma Universidade com suas atribuições ampliadas.
De um lado, ela continua o seu trabalho tradicional, já consagrado, voltado para a especialização, entendida como a produção do conhecimento novo e contribuição para a ciência universal, para o avanço do conhecimento científico e tecnológico mundial. De outro, volta-se para a interdisciplinaridade, vista na perspectiva da estruturação dos problemas sociais e do desenvolvimento regional e local. Como decorrência, também seus parâmetros balizadores se ampliam, passando a envolver, além da qualidade intrínseca do trabalho científico realizado – sua excelência acadêmica –, um novo e essencial componente: a relevância social desse trabalho científico.
Assim, uma Universidade que se quer pautada por paradigmas democráticos e transformadores deverá, necessariamente, (re)visitar seus processos de pesquisa, ensino e extensão, valorizando, também, os saberes do senso comum, confrontados criticamente com o próprio saber científico, comprometendo a comunidade acadêmica com as demandas sociais e com o impacto de suas ações transformadoras em relação a tais demandas.
Deste modo, na formação acadêmica ocorrem mudanças. A formação deve ser concebida de forma crítica e plural, não podendo se restringir simplesmente à transmissão de ensinamentos em sala de aula.
A globalização da economia e o surpreendente crescimento da taxa de inovação tecnológica, ao tornarem extremamente curta a vida útil do conhecimento contemporâneo, seriam razões importantes para a formação do estudante não estar circunscrita à preparação profissionalizante. Afinal, essa em pouco tempo torna-se superada. A noção de competência profissional, hoje, envolve o domínio não apenas do conhecimento acumulado (os conteúdos) e suas aplicações mais imediatas, mas também as formas como o conhecimento é produzido nas áreas científicas a ele relativas e sua contextualização histórica.
Assim, a busca dessa competência de forma plena passa pelo desenvolvimento de uma atitude investigativa e questionadora que, ampliando a capacidade de aprender por si do ser humano, vai criar condições para que ele possa, permanentemente, se manter aprendendo. É essa capacidade de (re)criar o conhecimento e manuseá-lo que, realmente, qualifica a competência do indivíduo. Para o desenvolvimento destas competências, a pesquisa e a extensão são imprescindíveis.
O processo de aprendizagem passa a basear-se e a depender de observações próprias, de atitudes reflexivas, questionadoras, que decorrem do diálogo e da interação com a realidade, para compreendê- la e transformá-la. Criam-se, dessa forma, condições para que a formação do estudante não fique restrita aos aspectos técnicos, formais e passe a contemplar seus aspectos sociais e políticos, promovendo a conscientização crítica. O conhecimento existente, ou o que está sendo construído, é produto de um contexto social determinado, podendo ser utilizado tanto no sentido da consolidação das exclusões sociais como da sua eliminação.
Essa perspectiva vai requerer, além de educadores afeitos à investigação e aos questionamentos quanto aos rumos da sociedade, que adotam e criam novas práticas pedagógicas, uma nova organização curricular permeável às transformações em curso, interdisciplinar, privilegiando a articulação teoria-prática na formação integral do estudante. Trata-se, em suma, de um novo paradigma curricular no qual é inevitável a indissociabilidade ensino–pesquisa–extensão enquanto eixo de formação do estudante, de uma perspectiva na qual a graduação vai além da mera transmissão para se transformar em espaço de construção do conhecimento, em que o estudante passa a ser sujeito, crítico e participativo, para o qual a flexibilização aparece como um meio de viabilização.
Fonte: FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS
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