domingo, 25 de novembro de 2012

ANÁLISE DAS PRINCIPAIS TEORIAS PEDAGÓGICAS INERENTES A PROCESSOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM


A aprendizagem é um termo que numa primeira impressão parece simples de definir. Mas sob o ponto de vista filosófico e psicológico a sua definição tem sofrido alterações significativas ao longo dos séculos. Atendendo a que o reconhecimento da psicologia como ciência6 surgiu em finais do século 19, a presente panorâmica das fontes de informação concentra-se apenas nas teorias da aprendizagem que se manifestaram dominantes a partir dessa data. São elas o behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo. A primeira está associada à psicologia do comportamento e as restantes à psicologia cognitiva. O construtivismo é uma evolução do cognitivismo.

Behaviorismo
A teoria do behaviorismo concentra-se no estudo dos comportamentos que podem ser observados a partir das reacções do indivíduo a estímulos do meio ambiente. A mente é vista como uma “caixa preta” porque responde a estímulos que podem ser observáveis, ignorando totalmente a possibilidade de ocorrência de processos mentais. Consoante a resposta dada pelo aprendiz esteja certa ou errada, é-lhe fornecido um reforço positivo ou negativo. O objectivo é aumentar a probabilidade de ocorrência da resposta desejada no futuro. Assim, para o behaviorismo o conhecimento é visto como dado e absoluto (isto é, existe na realidade exterior e universalmente aceite) e a aprendizagem é um processo passivo, sem interesse pelos processos mentais que ocorrem no aprendiz.

Cognitivismo
Contrariamente ao behaviorismo que considera que o comportamento é uma resposta mecânica à sujeição de estímulos (ou seja, a aprendizagem é determinada pelo meio ambiente e o organismo humano adapta-se às circunstâncias do meio), os cognitivistas interessaram-se por descobrir o que se passa “dentro” do cérebro humano e modelar os processos mentais que ocorrem durante a aprendizagem.
Segundo eles, à semelhança do computador, a mente humana é um processador de informação, isto é, recebe, interpreta, armazena e recupera ou utiliza informação quando necessita dela. Embora para a teoria cognitivista os processos mentais que ocorrem no aprendiz sejam o objecto de estudo principal, o conhecimento continua a ser visto como dado e absoluto, tal como acontece com o behavirorismo; a aprendizagem é o processo que cria na memória representações simbólicas da realidade exterior (Wilhelmsen et al., 1999b).
Outro aspecto importante associado ao cognitivismo, derivado da teoria cognitiva de Jean Piaget, é o respeito pelo estádio de desenvolvimento intelectual dos alunos (sensório-motor [0-2 anos], pré-operatório [2-6 anos], concreto [6-11 anos] e formal [11+ anos]), garantindo que as estruturas cognitivas destes estão “preparadas” para a aquisição de novos conhecimentos (Briner, 1999c).

Construtivismo
Os principios básicos do Construtivismo são:
- O conhecimento é construído activamente pelo aluno; não é transmitido.
- A aprendizagem é, simultaneamente, um processo activo e reflexivo.
- A interpretação que o aluno faz da nova experiência é influenciada pelo seu conhecimento prévio.
- As interacções sociais introduzem perspectivas múltiplas na aprendizagem.
- A aprendizagem requer a compreensão do todo assim como das partes, e estas deverão ser entendidas no contexto do todo. A aprendizagem deve, por isso, centrar-se em contextos e não em factos isolados.
A essência do construtivismo é, pois, construir o seu próprio conhecimento, o qual é visto como relativo (nada é absoluto, varia de pessoa para pessoa) e falível (nada pode ser assumido como garantido).
Um outro conceito importante do construtivismo é o suporte (scaffolding) — “processo de guiar o aluno do que é presentemente conhecido para aquilo a conhecer”) Os alunos sentem dificuldades na resolução de problemas devido a três categorias de carências:
• Aptidões que o aluno não é capaz de desempenhar.
• Aptidões que o aluno poderá ser capaz de desempenhar.
• Aptidões que o aluno é capaz de desempenhar com ajuda.
 Quaisquer que sejam as teorias da aprendizagem todas se preocupam em responder a duas questões fundamentais: “qual a natureza do conhecimento?” e ”como ocorre a aprendizagem?”. A resposta a estas questões permite, por sua vez, definir o foco pedagógico, ou seja, demarcar qual deverá ser a preocupação central da pedagogia.

A tabela seguinte ajuda a entender as diferentes concepções adoptadas por cada uma das teorias.



O behaviorismo e o cognitivismo vêem o conhecimento como absoluto (imposto socialmente, universalmente aceite e existente na realidade exterior) e transmissível. Esta visão “objectivista” do conhecimento orienta a aprendizagem para um processo passivo, em que a realidade exterior é interpretada de forma convergente por todos os alunos: os behavioristas dizem que a aprendizagem consiste nas respostas do aluno a factores externos e existentes no meio ambiente; os cognitivistas afirmam que a aprendizagem consiste na representação simbólica da realidade exterior que o aluno projecta na sua mente. Por isso o foco pedagógico incide, para os behavioristas, na aplicação de estímulos e reforços adequados enquanto, para os cognitivistas incide na manipulação do processo mental que o aluno deve seguir.

O construtivismo apresenta uma visão do conhecimento diferente da visão exposta pelo behaviorismo e pelo cognitivismo. Para o construtivismo o
conhecimento é uma construção pessoal que se realiza através do processo de aprendizagem. O conhecimento não pode ser transmitido de uma pessoa para outra, ele é (re)construído por cada pessoa. Cada aluno interpreta a realidade exterior baseando-se na sua experiência pessoal. Reflectindo na experiência individual, o aluno ajusta os seus modelos mentais para interrelacionar a nova informação com o seu conhecimento prévio. 

Desta forma, a realidade exterior é internamente controlada pelo aluno. Ele cria a sua própria interpretação da realidade com base na estrutura cognitiva que possui. Consequentemente, o objectivo principal da pedagogia é fomentar e orientar o processo mental que o aluno segue na interpretação da realidade.

Autor: Antônio Azevedo
Fonte: http://www.prof2000.pt

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