A
aprendizagem é um termo que numa primeira impressão parece simples de definir.
Mas sob o ponto de vista filosófico e psicológico a sua definição tem sofrido
alterações significativas ao longo dos séculos. Atendendo a que o
reconhecimento da psicologia como ciência6 surgiu em finais do século 19, a
presente panorâmica das fontes de informação concentra-se apenas nas teorias da
aprendizagem que se manifestaram dominantes a partir dessa data. São elas o
behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo. A primeira está associada à
psicologia do comportamento e as restantes à psicologia cognitiva. O
construtivismo é uma evolução do cognitivismo.
Behaviorismo
A teoria do
behaviorismo concentra-se no estudo dos comportamentos que podem ser observados
a partir das reacções do indivíduo a estímulos do meio ambiente. A mente é
vista como uma “caixa preta” porque responde a estímulos que podem ser
observáveis, ignorando totalmente a possibilidade de ocorrência de processos
mentais. Consoante a resposta dada pelo aprendiz esteja certa ou errada, é-lhe
fornecido um reforço positivo ou negativo. O objectivo é aumentar a
probabilidade de ocorrência da resposta desejada no futuro. Assim, para o
behaviorismo o conhecimento é visto como dado e absoluto (isto é, existe na
realidade exterior e universalmente aceite) e a aprendizagem é um processo
passivo, sem interesse pelos processos mentais que ocorrem no aprendiz.
Cognitivismo
Contrariamente
ao behaviorismo que considera que o comportamento é uma resposta mecânica à
sujeição de estímulos (ou seja, a aprendizagem é determinada pelo meio ambiente
e o organismo humano adapta-se às circunstâncias do meio), os cognitivistas
interessaram-se por descobrir o que se passa “dentro” do cérebro humano e
modelar os processos mentais que ocorrem durante a aprendizagem.
Segundo
eles, à semelhança do computador, a mente humana é um processador de
informação, isto é, recebe, interpreta, armazena e recupera ou utiliza
informação quando necessita dela. Embora para a teoria cognitivista os
processos mentais que ocorrem no aprendiz sejam o objecto de estudo principal,
o conhecimento continua a ser visto como dado e absoluto, tal como acontece com
o behavirorismo; a aprendizagem é o processo que cria na memória representações
simbólicas da realidade exterior (Wilhelmsen et al., 1999b).
Outro
aspecto importante associado ao cognitivismo, derivado da teoria cognitiva de
Jean Piaget, é o respeito pelo estádio de desenvolvimento intelectual dos
alunos (sensório-motor [0-2 anos], pré-operatório [2-6 anos], concreto [6-11
anos] e formal [11+ anos]), garantindo que as estruturas cognitivas destes
estão “preparadas” para a aquisição de novos conhecimentos (Briner, 1999c).
Construtivismo
Os
principios básicos do Construtivismo são:
- O
conhecimento é construído activamente pelo aluno; não é transmitido.
- A
aprendizagem é, simultaneamente, um processo activo e reflexivo.
- A
interpretação que o aluno faz da nova experiência é influenciada pelo seu
conhecimento prévio.
- As
interacções sociais introduzem perspectivas múltiplas na aprendizagem.
- A
aprendizagem requer a compreensão do todo assim como das partes, e estas
deverão ser entendidas no contexto do todo. A aprendizagem deve, por isso,
centrar-se em contextos e não em factos isolados.
A essência
do construtivismo é, pois, construir o seu próprio conhecimento, o qual é visto
como relativo (nada é absoluto, varia de pessoa para pessoa) e falível (nada
pode ser assumido como garantido).
Um outro
conceito importante do construtivismo é o suporte (scaffolding) — “processo de
guiar o aluno do que é presentemente conhecido para aquilo a conhecer”) Os
alunos sentem dificuldades na resolução de problemas devido a três categorias
de carências:
• Aptidões
que o aluno não é capaz de desempenhar.
• Aptidões que o aluno poderá ser capaz de desempenhar.
• Aptidões que o aluno é capaz de desempenhar com ajuda.
• Aptidões que o aluno poderá ser capaz de desempenhar.
• Aptidões que o aluno é capaz de desempenhar com ajuda.
Quaisquer
que sejam as teorias da aprendizagem todas se preocupam em responder a duas
questões fundamentais: “qual a natureza do conhecimento?” e ”como ocorre a
aprendizagem?”. A resposta a estas questões permite, por sua vez, definir o
foco pedagógico, ou seja, demarcar qual deverá ser a preocupação central da pedagogia.
A tabela
seguinte ajuda a entender as diferentes concepções adoptadas por cada uma das
teorias.
O
behaviorismo e o cognitivismo vêem o conhecimento como absoluto (imposto
socialmente, universalmente aceite e existente na realidade exterior) e
transmissível. Esta visão “objectivista” do conhecimento orienta a aprendizagem
para um processo passivo, em que a realidade exterior é interpretada de forma
convergente por todos os alunos: os behavioristas dizem que a aprendizagem
consiste nas respostas do aluno a factores externos e existentes no meio
ambiente; os cognitivistas afirmam que a aprendizagem consiste na representação
simbólica da realidade exterior que o aluno projecta na sua mente. Por isso o
foco pedagógico incide, para os behavioristas, na aplicação de estímulos e
reforços adequados enquanto, para os cognitivistas incide na manipulação do
processo mental que o aluno deve seguir.
O
construtivismo apresenta uma visão do conhecimento diferente da visão exposta
pelo behaviorismo e pelo cognitivismo. Para o construtivismo o
conhecimento é uma construção pessoal que se realiza através do processo de aprendizagem. O conhecimento não pode ser transmitido de uma pessoa para outra, ele é (re)construído por cada pessoa. Cada aluno interpreta a realidade exterior baseando-se na sua experiência pessoal. Reflectindo na experiência individual, o aluno ajusta os seus modelos mentais para interrelacionar a nova informação com o seu conhecimento prévio.
conhecimento é uma construção pessoal que se realiza através do processo de aprendizagem. O conhecimento não pode ser transmitido de uma pessoa para outra, ele é (re)construído por cada pessoa. Cada aluno interpreta a realidade exterior baseando-se na sua experiência pessoal. Reflectindo na experiência individual, o aluno ajusta os seus modelos mentais para interrelacionar a nova informação com o seu conhecimento prévio.
Desta forma, a realidade exterior é
internamente controlada pelo aluno. Ele cria a sua própria interpretação da
realidade com base na estrutura cognitiva que possui. Consequentemente, o
objectivo principal da pedagogia é fomentar e orientar o processo mental que o
aluno segue na interpretação da realidade.
Autor:
Antônio Azevedo
Fonte: http://www.prof2000.pt

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